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Como precificar sua hora de trabalho sem sair no prejuízo

Aprenda a calcular o valor da sua hora de trabalho como autônomo ou MEI, incluindo custos fixos, impostos e o tempo que não é cobrado do cliente.

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Emitido em23/10/2026
CategoriaPrecificação

Por Luiz do Nascimento · · 8 min de leitura

Como precificar sua hora de trabalho sem sair no prejuízo
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O preço da sua hora de trabalho não é "quanto o cliente topa pagar": é o resultado de uma conta — todos os seus custos do mês, divididos pelas horas que você realmente vende, mais a sua margem. Cobrar "no olho" é o jeito mais comum de trabalhar meses inteiros sem saber se sobrou alguma coisa no fim.

Este artigo é para quem cobra por hora (ou deveria) e nunca fez essa conta no papel. No fim, você sai com uma fórmula para montar o seu preço-hora do zero, sem depender de "tabela de mercado" de terceiro.

A fórmula básica do preço-hora

A fórmula tem três partes:

  1. Some todos os seus custos fixos do mês (os que existem independente de quanto você trabalha): DAS, internet, ferramentas, deslocamento recorrente, manutenção de equipamento.
  2. Defina quantas horas você realmente vende por mês (não as que você passa "disponível", mas as que de fato geram cobrança).
  3. Divida o total de custos pelas horas vendidas, e some a margem que você quer ganhar por cima disso.

O resultado é o seu preço-hora mínimo — abaixo dele, você está pagando para trabalhar, mesmo que o dinheiro entre na conta.

Liste todos os seus custos, inclusive os que não são "do cliente"

O erro mais comum é listar só o custo direto e visível daquele serviço (o material usado, por exemplo) e esquecer os custos que existem o mês inteiro, independente de quantos clientes você atende:

  • DAS do MEI (custo fixo mensal).
  • Internet e celular, se usados para o trabalho.
  • Ferramentas e equipamentos, considerando a parcela de desgaste mensal, não só a compra inicial.
  • Deslocamento recorrente (combustível, transporte público, manutenção do veículo).
  • Qualquer assinatura ou sistema que você usa para o negócio (agenda, emissor de nota, aplicativo de gestão).

Esses custos existem mesmo em um mês fraco de vendas — por isso entram na conta do preço-hora, e não só no "custo do serviço".

Quantas horas você realmente vende por mês

Aqui está o segundo erro comum: contar as horas "disponíveis" (por exemplo, 8 horas por dia, 22 dias no mês = 176 horas) como se todas fossem vendidas. Na prática, boa parte desse tempo não vira cobrança direta:

  • Tempo de deslocamento entre atendimentos.
  • Tempo de orçamento e negociação que não fecha.
  • Tempo administrativo (emitir nota, responder mensagem, organizar agenda).
  • Períodos sem demanda, folgas e imprevistos.

Um cálculo mais realista costuma considerar que só uma parte das horas disponíveis vira hora efetivamente vendida — por isso vale anotar, por pelo menos um mês, quantas horas você de fato cobrou, e usar esse número (não o teórico) na fórmula.

Incluindo o DAS e outros impostos na conta

O DAS do MEI é um custo fixo mensal, não um imposto "por venda" — por isso ele entra no preço-hora rateado pelas horas vendidas no mês, igual aos outros custos fixos. Em 2026, o DAS de quem presta serviço é de R$ 86,05 por mês (5% do salário mínimo de R$ 1.621,00, mais R$ 5,00 de ISS, conforme a tabela oficial do Portal do Empreendedor — veja o cálculo completo do DAS por atividade em 2026). Se você vende 80 horas por mês, por exemplo, isso representa pouco mais de R$ 1,00 por hora só de DAS — um valor pequeno isoladamente, mas que soma com todos os outros custos fixos.

O erro de cobrar só pela "hora visível" do serviço

Cobrar só a hora em que você está fisicamente fazendo o serviço (e não o tempo de deslocamento, preparo ou atendimento ao cliente) é a razão mais comum de o preço parecer "bom no papel" e ruim no bolso no fim do mês. Se você gasta 1 hora de deslocamento para cada 2 horas de serviço, por exemplo, está na prática vendendo sua hora por dois terços do valor que calculou — mesmo cobrando "o preço certo" pela hora visível.

A correção não é necessariamente criar uma linha separada de "taxa de deslocamento" (embora isso também funcione): é incluir esse tempo no cálculo de quantas horas você realmente vende por mês, como já descrito acima.

Exemplo em R$: montando o preço-hora do zero

Item do cálculoO que inclui
Custos fixos do mêsDAS, internet, ferramentas (desgaste), deslocamento recorrente, assinaturas
Horas vendidas no mêsSó o tempo que gera cobrança direta — não o tempo "disponível"
Custo fixo por horaCustos fixos do mês ÷ horas vendidas no mês
Preço-hora mínimoCusto fixo por hora + margem desejada

Reajustando quando os custos mudam

Sempre que um custo fixo mudar — o DAS reajustar com o salário mínimo, uma ferramenta precisar de manutenção maior, o combustível subir —, refaça a conta em vez de manter o preço antigo por hábito. O mesmo vale se o número de horas vendidas mudar de forma duradoura, para mais ou para menos: o preço-hora que fazia sentido em um mês cheio de demanda pode não cobrir os custos em um mês mais fraco.

Uma rotina simples ajuda: reserve um momento fixo a cada três ou quatro meses só para revisar essa conta, mesmo sem nenhuma mudança óbvia de custo. Pequenos aumentos que passam despercebidos mês a mês — um pouco mais de combustível, uma ferramenta que já não rende como antes — só aparecem somados quando você compara a conta de hoje com a de alguns meses atrás.

Perguntas frequentes

Preciso cobrar o mesmo valor por hora de todos os clientes?

Não necessariamente. O preço-hora calculado aqui é o seu piso mínimo — a partir dele, você pode ajustar para cima conforme a complexidade do serviço, a urgência pedida pelo cliente ou outros fatores, desde que nunca fique abaixo do que cobre seus custos e a margem que você definiu.

Como cobrar deslocamento e tempo de orçamento?

Duas formas comuns: incluir esse tempo dentro do cálculo de "horas vendidas" (reduzindo o total de horas realmente cobráveis no mês, como no exemplo acima) ou criar uma taxa específica de deslocamento para atendimentos mais distantes. O importante é que esse tempo apareça em algum lugar da conta — nunca que ele simplesmente desapareça do cálculo.

O preço da concorrência deve definir o meu preço-hora?

Olhar o mercado ajuda a entender o que é praticado, mas não substitui a sua própria conta de custos. Um concorrente pode cobrar menos porque tem custo fixo menor, ou porque está perdendo dinheiro sem perceber — o seu preço-hora mínimo precisa, antes de tudo, cobrir os seus custos reais.

Próximo passo

Separe os seus custos fixos do mês e anote, por pelo menos duas semanas, quantas horas você realmente vende — depois disso, refaça a conta deste artigo com os seus números reais. Se quiser embutir também o custo de receber por cartão nesse cálculo, veja maquininha de cartão para MEI: como comparar taxas e prazo.

Fontes oficiais

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Luiz do Nascimento

Escrito por

Luiz do Nascimento

Responsável pelo Conta Própria

Luiz do Nascimento é o responsável legal pelo Conta Própria. Microempreendedor individual desde 2012, em Guabiruba (SC), reúne no blog o que aprende organizando o dinheiro do próprio negócio no dia a dia.

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